quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

CAMINHOS DO CORAÇÃO

Por Adriana Pinho Gomes

Tenho pensado o que leva uma pessoa ser alegre e outra não. Será que já nascemos com essa ou aquela pré-disposição, será que as experiências que vivemos nos tornam mais alegres ou tristes, será que quem pensa muito fica propenso à tristeza ou o contrário quem pensa pouco e sente muito fica mais triste, enfim...
Mas ser uma pessoa alegre é diferente de estar alegre, quem é alegre, em qualquer situação mantém uma postura positiva, nem digo otimista, mas positiva, no sentido de sempre ir em frente, sabendo que existe uma luz no fim do túnel e que tudo é passageiro nessa vida e que no fundo, tudo tem uma razão de ser.
Agora existem pessoas exuberantes, histriônicas, meio folclóricas, que falam alto, riem alto, fazem brincadeiras, são extrovertidas. Geralmente somente essas pessoas são vistas como alegres, e normalmente são mesmo.
Mas existe aquela outra espécie de pessoa que não é tão exuberante assim, mas que tem uma alegria interior que nem sempre é manifestada de uma forma tão explícita. Mas isso não quer dizer que essa pessoa é triste, de forma alguma.
Penso que até o tipo de educação pode proporcionar mais ou menos condições da pessoa manifestar sua alegria interior.
Essa é a questão, todos nós temos um núcleo de alegria interior latente, só que tem gente que entra mais facilmente em contato com ele. Aí eu acho que são tantas variáveis que concorrem para que isso ocorra ou não. Como já dito, educação, situações vividas, grau de consciência das coisas, enfim, muitos aspectos e fatores colaboram para que nossa alegria interior vá ficando massacrada com o tempo, e em alguns casos até desapareça por completo.
Pense bem, as crianças são alegres naturalmente, e isso se dá porque elas ainda estão em permanente contato com esse núcleo de alegria interior.
Tem um pensamento que diz assim : "O inverno está em minha cabeça, mas a primavera vive em meu coração"
Acho que é muito por ai, quando nos distanciamos dos nossos sentimentos, do que realmente sentimos, quando nos distanciamos da nossa essência vai ficando muito difícil ser alegre.
Essa é a experiência que eu vivi, e percebi que fui ficando triste porque estava distanciando de mim mesma, das coisas em que realmente eu acredito. Mas eu sempre soube que sou alegre e que tenho essa alegria dentro de mim, mesmo que não seja manifestada de forma tão exuberante. Porque é da essência de todo ser humano ser alegre.
Precisamos é descobrir em quais armadilhas caímos ao longo da vida que nos distanciam da nossa genuína natureza.
E as pistas que nos conduzem a esse caminho rumo à nossa verdadeira essência são nossos sentimentos, o que sentimos lá no fundo e que fica tão camuflado pelas exigências da vida e que às vezes preferimos nem saber deles.
E aí começamos a afrontar nossa consciência, nossa alma, nosso coração para agradar o mundo. E é difícil lutar contra o coração, pois geralmente se paga com a alma. E é na alma que está nossa essência.
Aí vem tristeza, falta de alegria, doença e toda sorte de infortúnios.
Ouça seu coração, reconheça seus sentimentos, que podem ser sim avaliados pela razão, mas o que não pode é serem ignorados.
Estabeleça um equilíbrio entre os sentimentos e a razão. Decida a direção, a opção de vida com base no que pede seu coração, mas escolha os caminhos, as formas de alcançar seus objetivos com a cabeça, usando a razão.
Procure equilibrar razão e emoção, uma deve estar a serviço da outra, a razão serve para operacionalizar nossas emoções e sentimentos, nunca se deve negá-los. Também não vale “pensar o sentimento”, ele deve ser reconhecido em sua integralidade, sem qualquer censura, e não pode ser racionalizado, o que você vai fazer com ele é que deve ser pensado, Mas o sentimento deve ser apenas sentido e ele é sagrado.
A nossa trajetória de vida e escolhas, tudo é determinado pelo tipo de sentimento que temos, seja em relação nós mesmos, seja em relação ao mundo externo.
O que gera a ação é o coração, por isso são os sentimentos que dão rumo a nossa vida.
Portanto, precisamos descobrir os caminhos que nos levam a até nosso coração porque lá mora a nossa alegria.
A conexão com a nossa essência é que garante a permanência da alegria em nossa vida.
Por isso, trilhe os caminhos do seu coração e sorria.
DA FALTA DE TEMPO
Por Adriana Pinho Gomes
Eu preciso de tempo!!!!Tempo para mim, tempo para "vadiar", tempo para me dedicar ao ócio, e para a criação. Já disse isso Domenico de Masi no livro "Ócio criativo" ("ainda tenho que ter tempo para ler esse livro").É, o ritmo de vida imposto pela chamada sociedade "pós-moderna" tira do cidadão toda e qualquer chance de ele ser alguém além de mais um na multidão, nada mais que uma peça na engrenagem que serve aos interesses daqueles que detém o poder econômico. Isso é velho, é, e só tem se agravado ao longo do tempo.A gente precisa de tempo, eu disse tempo!!!!!A vida não é só trabalho, principalmente quando já se conquistou um mínimo de condições materiais para se viver com dignidade, o que aliás deveria ser natural e acessível a todo ser humano: ter uma vida digna com as mínimas condições para se viver saudavelmente. Mas o mundo está cheio de armadilhas, cheio de falsas promessas, cheio de vitrines de ilusões.Mas a minha questão hoje é o tempo.Eu preciso de tempo para ser eu mesma, para poder exercitar o que tem de mais genuíno em mim; tempo para ser amiga; para ser amante; para ser companheira; para criar; para cuidar de mim; dos que amo; para conversar e dar risadas sem preocupação alguma; para brincar; para meditar; ir ao salão; levar meu cachorro para passear; para conversar com minha mãe e pai, com a devida paciência que eles merecem, pois já são idosos; para cantar; para ler; para estudar (me atualizar em relação ao meu trabalho) e tantas outras coisas não menos importantes, mas que eu não citei aqui.
Enfim, quando eu penso nisso e vejo quanto coisa precisamos fazer, conquistar, manter, conservar, adquirir (diariamente) me vem inevitavelmente à cabeça a ideia de que algo está errado na forma como o ser humano vem estruturando seu modo de vida em sociedade, algo está muito fora do natural, vivemos em um ritmo absolutamente anti-natural. "Ah mas tudo é uma questão de adaptação". Será?
Qual o preço que pagamos por viver assim? Quais são os efeitos colaterais desse tipo de vida? doenças físicas (só tem aumentado os tipos de doenças), neuroses, violência, falta de amor, solidão, anonimato, indiferença, falta de afetividade, descaso, frieza.
Estamos todos submetidos em alguma medida a todas essas mazelas e será que tem que ser para sempre assim?
O que de bom nos traz esse ritmo alucinante além da sensação de impotência, aquela ansiedade terrível e uma constante tensão? nada.
O tempo todo é cobrado de nós algum tipo de desempenho, alguma providência, alguma performance, como profissionais, como amantes, como pais e mães, no seu prédio, pela sua faxineira, até seu cachorro te cobra carinho e atenção.
Que bom seria se pudéssemos nos dedicar apenas ao lado gostoso da vida, e como tem coisa boa na vida heim...
Nossa, por isso é que eu digo, nossa forma de viver está equivocada e desequilibrada.
Hoje eu quis apenas provocar esse questionamento, suscitar dúvidas com vistas a uma futura retomada de posição diante da vida, com a intenção de mudar os conceitos vigentes e até então estabelecidos.
Quem disse que tem que ser assim para sempre? Volto a perguntar. Alguma coisa tem que ser mudada nessa nossa vidinha mediocre, para qual fomos programados apenas para obter resultados e ainda opor cima de acordo com o que pré-definiram para nós. Vivemos computando resultados imediatos. Tem que fazer isso, tem que fazer aquilo, e mais aquilo e ai vai... a busca incessante de resultados práticos.
Mas para que a vida valha a pena, para que tenhamos um viver mais saudável, mas prazeroso e mais feliz temos que descobrir qual é o nosso verdadeiro roteiro de vida e não aquele que nos impuseram, aquele que nos é imposto pela "fala corrente". Para que a nossa história seja verdadeiramente nossa, não apenas mais um plágio, temos que ir em busca do nosso ritmo, temos que cadenciar a nossa vida de acordo com o pulsar do nosso coração. Isso significa que temos que priorizar em nossa vida o que faz bem ao nosso coração, o que nos enche de entusiasmo e alegria. Nosso coração é nosso norte é ele que, literalmente, nos mantém vivos. Não é apenas um simbolismo, nem pieguice, é real. E muita coisa que faz o nosso coração bater de contentamento não é computado como resultado prático nesse mundo caótico.
Brincar com meu cachorro, pegar ele no colo, sentir seu pelinho macio e quentinho, ficar olhando para ele simplesmente fazendo suas brincadeiras me dá um prazer danado, mas não me traz resultado algum no mundo prático. Pelo contrário, fica parecendo que eu estou roubando meu tempo que eu estaria fazendo coisas mais importantes, como por exemplo trabalho. Mas a verdade é que não posso mesmo gastar muito tempo despreocupadamente com essas coisas, se não, não dá tempo de fazer outras coisas.
Queria escrever muito mais, mas não tenho tempo, não tenho tido tempo...
Por isso eu preciso mudar alguma coisa, ninguém consegue obter resultados diferentes fazendo as mesmas coisas, se posicionado da mesma forma, nada acontence de novo.
Quero terminar com duas frases que me fazem muito bem pensar sobre elas:
"Insanidade é querer obter outros resultados fazendo a mesma coisa" e "Só os peixes vivos conseguem nadar contra a maré, os mortos deixam-se levar por ela".

Beleza invisível

Por Adriana Pinho Gomes 

Descobri que depois de certa idade (depois dos quarenta), as mulheres passam a ter uma beleza, que eu achei por bem denominar de “beleza invisível”, se é que isso faz algum sentido.
Digo invisível porque a beleza que passamos a ter não é perceptível para a maioria dos homens. Falo da beleza estética corporal.
Me permito aqui fazer uma ilação “leiga”. Se restringirmos a compreensão da natureza humana  à perspectiva do biológico, ou seja, se considerarmos que as características do comportamento humano advêm unicamente de seu código genético e que por isso somos marionetes da nossa biologia (hormônios, sistema neurológico e memória genética), poderíamos explicar a permanente preferência dos homens pelas mulheres jovens (quando eles mesmos não são mais jovens), e, ainda, sua natural tendência à poligamia.
É o instinto ancestral da preservação da espécie.  Para a reprodução, a juventude  é fator primordial.
Portanto, o homem de quarenta anos para frente, de um modo geral, começa a demonstrar desinteresse pelas mulheres dessa mesma faixa etária.  E é claro que existem mulheres com mais de quarenta bonitas. Mas a busca do macho humano continua ser por um corpo jovem.
Feitas tais considerações, penso que todas as pessoas depois de uma certa idade deveriam priorizar outros aspectos da vida como por exemplo aprimorar nosso poder criativo, no intuito de melhorar o mundo em que vivemos. Podemos criar beleza nas artes, na literatura, na escrita de um modo geral. Podemos exercer nosso potencial criativo como profissionais, como avós, como amigas, como doadoras de conhecimento e de sabedoria.
Na maturidade deveríamos nos permitir sermos livres para fazermos grandes descobertas a respeito de nós mesmas e ativar nossos talentos adormecidos.
Nessa fase da vida surge a oportunidade de descobrirmos o novo, o inusitado, sem qualquer interferência de convenções ou de regras impostas pelo que nos disseram a respeito de “como deveria ser”. Surge ai a oportunidade de realizarmos nossos sonhos mais ocultos, cantar, dançar, aprender a nadar, sei lá, cada um tem o seu próprio. Podemos desenvolver uma virtude que até então não temos, observar nosso comportamento, investigar nossa história, procurarmos por repostas que nunca tivemos na juventude. É um bom momento para ampliarmos nosso nível de consciência a respeito da vida e dos fatos de nossa vida. Vê-los como realmente são, sem qualquer ilusão. A “iluminação”, ou ser “iluminado’ é simplesmente entrar em contato com a realidade,  tal como ela é, sem subterfúgios.
Para uma mulher madura é muito angustiante e frustrante procurar no espelho uma imagem que nunca mais verá. Aquela menininha linda com todo o frescor da juventude estampado no rosto.
Enquanto estivermos à procura disso, seremos tristes, feias e amargas. Sei que é muito difícil, porque há na nossa cultura um excesso de valorização da beleza plástica apenas. É como se não tivéssemos mais nada a oferecer ao mundo, se não temos mais juventude. Juventude no Brasil é vista como uma virtude e não como uma fase da vida. A jovialidade sim pode ser encarada como uma característica positiva, na medida em que significa entusiasmo em viver e descobrir a vida em suas diversas fases. Ser jovial, em tese, é possível em qualquer idade. Por outro lado, o  repúdio pela velhice é um contrassenso, já que cada vez mais tem aumentado a expectativa de vida do ser humano. Mas eu me pergunto para quê?  Queremos viver mais e ao mesmo tempo rejeitamos a velhice, não sabemos lidar com ela, não sabemos conviver com nossas limitações.
Deixar de atrair olhares e/ou provocar interesse nos homens traz sofrimento psicológico para uma mulher. Isso é inevitável.
A beleza da mulher madura deve ser vista com um olhar ligeiramente desfocado de seu corpo físico, para que seja possível captar também a beleza das sensações, do sentir, do ser.

***OS HOMENS ( DE UM MODO GERAL) PERMANECEM POR TODA A VIDA FIXADOS NA BELEZA ADOLESCENTE DAS NINFETAS.

ENQUANTO NÓS, MULHERES, DE UM MODO GERAL, NOS ENCANTAMOS COM OS HOMENS MADUROS E GRISALHOS DA NOSSA MESMA FAIXA ETÁRIA. (QUE  FALTA DE SINTONIA!!!)